
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Matriz do 4º Teste Sumativo (Março) - 2º Período

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Projecto Blogermania (Reposição da Postagem Inicial)

O que é o FILODIÁLOGO ?
O Filodialogo é, na realidade, um Filotopos: um lugar para a aprendizagem dialogada da Filosofia (e não só) em contexto escolar. À semelhança de outras Actividades desenvolvidos anteriormente no âmbito do Projecto "Blogermania", pretende crescer e iluminar‑se com o contributo de todos os alunos/professores / encarregados de educação que nele procurarem encontrar uma forma diferente de trabalhar, dialogar e encurtar distâncias.
Pretende, também, prolongar uma Plataforma de comunicação e criatividade já iniciada em experiências recentes e que foram gratificantes, mas também divertidas, para todos os intervenientes. Para isso, é necessário que fiquem desde já com o endereço deste Blog que vos permitirá diversificar os métodos habituais de estudo e de comunicação ao longo do ano lectivo.
Aqui fica o endereço: filodialogo.blogspot.com
Também poderão espreitar o Blog desenvolvido nos dois anos lectivos anteriores (para alunos dos 10º e 11º anos) no seguinte site: filosofia-10ano.blogspot.com
2º Período - Ética, Natureza, Cultura e Valores (Texto)
Fig.1 Menina e Abutre (África) Fotografia Kevin Cartner
Fig.2 Menina Afegã

Fig. 3 Raparigas Mursi - África (ritual da Primavera e da Iniciação sexual)
Francesco Alberoni, Valores, Círculo de Leitores, 2001, trad. do italiano por Maria Carlota Álvares da Guerra, pp. 5-8.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Matriz do 3º Teste Sumativo/2º Período Turmas: A B C D
Nota: Adquire folha de Teste na PapelariaESTRUTURA:
4 Grupos ( igual estrutura)
Grupo I
10 itens de escolha múltipla
Grupo II
6 questões de resposta curta e objectiva: (estabelecer correspondências; aplicar definições.
Grupo III
5 itens de classificação verdadeiro/falso ( V/F).
Grupo IV
1 Questão de resposta extensa e orientada: (Tema para desenvolvimento/dissertação).
COTAÇÕES:
Grupo I: 1o x 4 pontos = 40 pontos: 4 valores
Grupo II: 6 x 10 pontos = 60 pontos: 6 valores
Grupo III: 5 x 10 pontos = 50 pontos: 5 valores
Grupo IV: 1 x 50 pontos = 5 valores ( 3 valores p/conteúdos + 2 valores p/aspectos formais: qualidade da redacção/nexo lógico/ortografia)
TOTAL: 200 Pontos ( 20 valores)
CONTEÚDOS:
1. A acção humana ( análise e compreensão do agir - desde os condicionantes da acção - pág. 47 do Manual)
2. Os valores ( análise e compreensão da experiência valorativa - até pág. 80 do Manual)
ELEMENTOS de ESTUDO:
Manual - páginas indicadas
Actividades realizadas na aula / respectivas correcções
Elementos publicados no Blog
Registos do Caderno Diário
Fichas de Apoio distribuídas
Obsv: O estudo deve ser acompanhado de produção escrita (quer extensiva, quer construíndo sistematizações/esquemas).
Ao longo do estudo, deverás registar (por escrito) as tuas dúvidas para posterior esclarecimento.
BOM TRABALHO!
sábado, 17 de janeiro de 2009
Porque não irei às aulas no próximo dia 19 de Janeiro

Aos meus Alunos, Colegas e Encarregados de Educação:
Em Julho de 2007, redigi e enviei esta “Carta Aberta” à Sr.ª Ministra da Educação. Volvidos 2 anos, a política deseducativa do Governo Sócrates continua, lamentavelmente, a dar-lhe actualidade.
Se tiverem paciência e tempo, não deixem de a ler!
Ex.mª senhora Ministra:
Quem lhe endereça esta carta tem 48 anos de idade e cerca de metade da sua vida dedicada ao exercício da docência no Ensino Secundário. Assistiu, ao longo da sua carreira profissional, à “rodagem” de sucessivos Governos e à interminável implementação de “reformas” ,“contra-reformas” e medidas mais ou menos avulsas de sucessivos ministros e secretários de estado, cada um empenhado em “endireitar” e “remendar” o tão enviesado e cada vez mais deteriorado sistema educativo e de ensino em Portugal - país que se caracteriza por ser prodigioso em simulacros e penúria de milagres (o último terá ocorrido em 1917).
Muitos dos ministros que têm assumido a complexa tarefa de dirigir os destinos da educação ficaram na história por bons e maus motivos e desses, recordo, (independentemente de qualquer cor política, uma vez que a paleta foi diversificada), um substancial número – que desde o antigo regime, entenda-se salazar/marcelista até hoje, tinham em comum, pelo menos alguns deles, uma matriz relevante: conheciam em profundidade as carências e vicissitudes do Sistema e percebiam de facto de Educação além de serem, na sua maioria, personalidades publicamente reconhecidas e com provas dadas nesse domínio; alguns até, possuidores de um inestimável palmarés científico e académico; porém, não sendo essa a matéria em apreço, abstenho-me de nomear personalidades que certamente a Sr.ª Ministra conhecerá tão bem quanto eu.
Perante a miríade de medidas implementadas por V. Ex.ª no decurso do presente ano lectivo e tão abnegadamente publicitadas principalmente pelo Sr. Secretário de Estado Valter Lemos e tendo em conta as propostas recentemente anunciadas para futura integração no Estatuto da Carreira Docente, particularmente no que respeita ao novo regime de progressão na carreira e avaliação dos professores verifico, objectivamente, que ao contrário de uma grande parte dos seus antecessores, a Sr.ª Ministra além de ser uma ilustre desconhecida (para a esmagadora maioria dos portugueses) até ter assumido as funções que agora exerce no Ministério da Educação, ficará na história deste Ministério por exibir (com a discrição e simplismo que se lhe reconhece), uma pioneira e radical insensibilidade e desconhecimento em matéria educativa o que, paradoxalmente, não lhe tem tolhido a acção. A Escola, antes de mais, não é uma empresa, mas uma comunidade complexa, cada vez mais complexa, que a senhora Ministra deveria analisar em profundidade, quanto mais não fosse, por inerência de funções.
Ficará certamente na história do sistema educativo português como principal obreira de mais um logro demagógico não destituído de graves consequências. De facto, as referidas medidas só virão contribuir para ampliar a péssima imagem dos professores junto da opinião pública (não pelas consequências sérias da sua implementação prática, uma vez que de raiz, carecem de objectividade e de seriedade) mas porque enfermam, à partida, de um significado latente e subliminar de desrespeito e ataque sistemático à dignidade de uma classe profissional que V. Ex.ª elegeu como aquela a quem se devem aplicar todas as medidas de excepção, demais a mais, destituídas de qualquer razoabilidade. Queira V.Ex.ª assumir, neste momento, para não quebrar a coerência intrínseca da desastrosa práxis do Ministério que dirige, a Responsabilidade Maior directa e acrescida, ao potenciar essa má consciência da opinião pública, veiculada e propagada pelos órgãos de comunicação social e pelas eminências pardas deste país (fazedores de opinião, bem remunerada, nos debates televisivos, radiofónicos e colunas dos chamados “jornais de referência”). A senhora ministra oferece-lhes regularmente “repasto” propício ao negócio da informação inquinada de inverdades, tão ao gosto da maledicência nacional comparável, nos tempos modernos, ao sangue que as arenas romanas exibiam para gáudio das massas.
Queira V. Ex.ª assumir que a grande maioria das medidas demagógicas que implementou no sistema educativo, em particular, no Ensino Secundário são, na prática, aquilo que toda a gente sabe: estratégias de poupança, por imperativos do descalabro económico, financeiro e social em que o país se encontra, ataque à Escola Pública e directo contributo para a proliferação de instituições privadas que têm vindo a crescer como cogumelos, perpetuando assimetrias, injustiças e favorecimentos sociais de várias naturezas, sempre em benefício de um espectro alargado de clientelas; senão, confronte-se o controlo científico e pedagógico a que essas instituições têm sido submetidas nas últimas décadas e compare-se, nesse contexto, o supervisionamento dos Exames Nacionais de acesso ao Ensino Superior com aquele que é exercido nas Escolas Públicas. Confrontem-se os resultados obtidos em exames pelos mesmos alunos oriundos da “sangria” crescente das escolas públicas para as privadas e facilmente verificaremos que os resultados obtidos, após transição para o privado, (salvo honrosas excepções – pois toda a generalização é abusiva), não podem ser sérios e muito menos, dever-se à mais elevada competência dos professores que aí leccionam pois, como é do conhecimento geral, uma grande maioria desses professores acumulam no público e no privado, não tendo os alunos dessas instituições a mesma composição socio-económica dos alunos que a Escola Pública acolhe e que, por óbvias razões, não frequentam as instituições privadas. Digamos que, frequentemente, nessas instituições, se recorre ao “truque” de conseguir na “secretaria”, resultados que não foram obtidos em “campo”. Mesmo que em inúmeros casos a verdade tenha sido reposta por via dos maus desempenhos desses alunos em Exames Nacionais, o que é certo é que os expedientes utilizados, acabam por facilitar o ingresso nos cursos superiores mais exigentes no que toca às médias de acesso. Todos sabemos que é esta a real motivação que continua subjacente à “sangria” de alunos do público para o privado que se tem vindo a acentuar na última década. Todos sabemos as pressões a que estão sujeitos os profissionais mais sérios no exercício da docência. Também não ignoramos quais os expedientes a usar (escrúpulos e competência à parte), para nos furtarmos às consequências nocivas na saúde e na carreira, dessas crescentes e superiormente consentidas pressões. Também todos estamos conscientes (e não será necessário qualquer ensaio de lucidez), para reconhecer que nesta, como noutras profissões, também existe incompetência, laxismo, absentismo que importa identificar e combater.
Quanto às “reformas” anunciadas, permita-me Sr.ª Ministra que lance a V. Ex.ª e à sua equipa, em particular aos Sr.s Secretários de Estado, o seguinte repto: tenham V.ªs Ex.ªs a coragem e ousadia (que até ao momento parecem exibir), e experimentem lançar-se (completamente anónimos), numa qualquer Escola Secundária com oferta de cursos heterogénea, no palco não mediatizado de uma qualquer “aula de substituição ou aula regular”, em turmas do ensino básico ou secundário e, particularmente, em turmas dos cursos tecnológicos e de formação. Experimentem leccionar nesse contexto (pois até parece que são, ou já foram professores) e garanto-lhes que se da experiência saírem vivos ou com a vossa dignidade não beliscada, terão toda a oportunidade para exercitar, até ao limite, os dotes de excepcional criatividade, rigor, competência, originalidade e imaginação (para não falar da temerária abnegação) que tal tarefa requer, diariamente, a muitos dos professores das nossas escolas públicas. Se saírem de tal experiência reforçados no vosso auto-conceito e suficientemente animados, poderão ainda desenvolver uma experiência mais aliciante e de inestimável contributo para a melhoria do sistema e do insucesso escolar: ponham-se na pele de professores experientes, “jovens (?)” sexagenários próximos da actual idade de aposentação, com os inevitáveis cabelos brancos, rugas e os demais sinais de decadência física (e não necessariamente mental, que sempre atinge uns, mais do que outros) e experimentem leccionar em turmas vulgares de Lineu de qualquer curso geral , ou acompanhar em sala de estudo aqueles estudantes que por qualquer razão avulsa não conseguiram “ suportar” durante mais tempo aquele(s)"setor(es)”. Irão ver que a experiência e a sábia bonomia que a avançada idade sempre conferem, serão um bálsamo benfazejo para aqueles alunos “tão ávidos de saber” e “tão receptivos à aprendizagem”. Tais experiências darão os seus frutos, constituindo uma inestimável mais-valia ao constarem nos Relatórios ou Inquéritos que os pais dos mesmos alunos certamente não deixarão de elaborar sobre o vosso desempenho, contribuindo para uma progressão na carreira plena, justa e participada, na lógica do modelo de avaliação que V.Ex.ªs tanto prezam.
A Escola Pública Sr.ª Ministra é, como V.Ex.ª não poderá certamente ignorar, o primeiro e fiel espelho da sociedade civil que temos e, portanto, dos pais que temos (salvo muitas e pontuais excepções): a esmagadora maioria não tem, pelos afazeres da própria vida, qualquer contacto com a Escola a não ser muito esporadicamente e, nessa grande maioria existe, inevitavelmente, uma muito significativa parte, que ao demitir-se da educação dos filhos, transfere integralmente para a Escola a responsabilidade de os educar. Mas faltam meios Sr.ª Ministra, faltam muitos meios: humanos, materiais e medidas de regulamentação, principalmente se levadas à prática, para educar em ordem à competência, à cidadania, à profissionalização e, sobretudo, em ordem ao respeito, à decência e à corresponsabilização desses pais no que toca à violência crescente, à agressividade, à indisciplina que grassa nas nossas escolas públicas e privadas (e nestas,camuflada de toda a espécie de arrogância, indigência, despotismo e desrespeito para com os professores , espécie de novos escravos do sistema, mão-de-obra barata que cala e consente todos os desmandos, ameaçada pelo desemprego eminente) e que cresce a um ritmo preocupante : a Escola Pública continua a absorver autênticas hostes de jovens adolescentes, muitos deles marcados por uma crescente indigência social, fruto dessa anomia que a Sr.ª Ministra enquanto socióloga tanto tem vindo a referir; são os mesmos que vandalizam equipamentos, agridem colegas, insultam professores e funcionários, exímios na agressão verbal (que entretanto se tornou corriqueira) práticas que crescem na razão directa da quase total impunidade (por muitos majores Parrachos e Programas Escola Segura que o venham desmentir ou tratar eufemisticamente). A Escola Pública continua a pugnar (com meios cada vez mais escassos e degradados), por aquilo de que a sociedade civil se demite ou não pode fazer, frequentemente com risco da integridade física e psicológica de todos os que nela trabalham e, particularmente, dos professores. ESTA É, em parte, A REALIDADE NUA E CRUA DAS NOSSAS ESCOLAS, Sr.ª Ministra!
Quanto à progressão dos professores na carreira, todos sabemos que os modelos anteriores encerram vicissitudes e defeitos dignos de registo, sendo o maior, aquele que veda aos professores uma possível progressão para além do 10º escalão – que em circunstâncias normais era atingido bastante cedo no percurso profissional da docência e idade dos professores. Porém, Sr.ª Ministra, não foram os professores que criaram esses mecanismos limitando-se, como em qualquer outra profissão, a singrar de acordo e no cumprimento das regras superiormente definidas, (não esqueçamos que todas essas disposições tão duramente criticadas por V.Ex.ª e pelo Governo de que faz parte, têm vindo a ser, a seu tempo, legisladas por outros Governos de idêntica legitimidade e até, de idêntica cor política e sufragadas pela Assembleia da República, ao sabor das várias maiorias que por lá têm passado). Essas regras têm, como é do conhecimento público, vindo a sofrer sucessivas metamorfoses, sempre em prejuízo da Escola Pública. Importará contudo frisar que o modelo que agora está em curso não é melhor, mais razoável e não introduzirá nenhuma mais-valia de objectividade, rigor, exigência ou competência: é mesmo o maior embuste alguma vez visto na história do nosso sistema educativo e não convém escamotear, como é da praxe, as reais responsabilidades, mesmo que por via das mudanças políticas estas tenham que ser apuradas retrospectivamente. (Todos sabemos que, sob um fundo de pura poupança orçamental, não se quer reconhecer nem premiar a competência, o mérito e a prioritária dedicação à actividade mais nobre da docência (a actividade lectiva), mas tão só, reduzir substancialmente o acesso ao topo da Carreira a esses que são os nossos melhores e mais dedicados professores. Em vez disso, criam-se duas Carreiras distintas (os Professores e os Titulares) onde, imagine-se, professores com muito maior experiência e provas dadas nas componentes fundamentais da Educação (actividade lectiva, serviço de Exames, supervisionamento e orientação pedagógica, etc…) vêem-se inusitadamente ultrapassados por professores de Escalões inferiores, com muito menor experiência, mas que somam pontos por cargos cooptados pelas Direcções Executivas das Escolas e distribuídos segundo lógicas internas de “amiguismos” de vária ordem, que de rigoroso e sério nada têm.
Sr.ª Ministra, reconheça, mas reconheça publicamente: tudo isto, além de ABSURDO, é IMORAL, é INÍQUO, é ILEGAL, absolutamente inaceitável e por tudo isso eu lhe aponto o dedo acusador e a RESPONSABILIZO!
Todos sabemos que, no que toca ao Ensino Superior (que tão oportunamente se autonomizou), as coisas continuam praticamente em “roda-livre” no que concerne ao controlo da qualidade de ensino, assiduidade dos professores, cumprimento dos currículos, etc. Todos sabemos! Particularmente aqueles que tendo concluído licenciaturas ou até cursos de pós-graduação, mestrados e doutoramentos com sobrecarga financeira e esforço pessoal não dispiciendos. Pois bem, o facto de existirem duas tutelas separadas não impedirá que a Sr.ª Ministra proponha ao seu congénere do Ensino Superior, um mais estreito diálogo e aproximação nas lógicas de articulação e controlo da qualidade destes níveis de ensino: afinal vivemos todos no mesmo país e não em galáxias tão distantes que façam esmorecer esse impulso, mesmo em acumulação com as novidades impostas no quadro dos acordos europeus. Sr.ª Ministra, todos sabemos que seria bem mais fácil, profícuo e menos demagógico, implementar verdadeiros critérios de exigência e rigor no âmbito de todos os níveis de ensino. Existem certamente dados e registos mais do que suficientes para serem correctamente analisados pelo Ministério da Educação: só os não analisa quem não quiser, ou quem não puder! É claro que talvez não fossem tão mediáticos e certamente careceriam de equipas devidamente habilitadas para o fazer, no terreno das escolas. É claro que contribuiriam para desfazer muitos equívocos e inverdades que passam, sem qualquer filtro de rigor ético para a opinião pública. Por outro lado, seriam pouco ou nada oportunos para a coerência da imagem de severidade “equitativa” das restantes medidas do Governo. Mas claro, isso também seria dispendioso, para não falar das imensas disparidades que existem na profissão docente no que toca aos dados disponíveis: existem, por exemplo, imensos professores cujo trabalho não pode ser aferido por resultados de exames nacionais porque simplesmente não operam nesses níveis de ensino, mas cuja progressão deveria depender da análise da qualidade científica, do empenhamento e dedicação pedagógica com que exercem a docência, através de instrumentos rigorosos e objectivos.
Por fim Sr.ª Ministra e porque a missiva já vai longa, (apesar do muito que fica por dizer), resta-me desejar que tenha o seu Ministério e todos os gestores e economistas mais liberais deste país, os níveis de desempenho, de produtividade, de assiduidade e competência que muitos professores deste mesmo país ainda têm; (mesmo com escassos meios, emagrecimento substantivo de salários e degradação iníqua e galopante da sua qualidade de vida) e, se assim for, estaremos convictos que a Educação caminhará no bom sentido, que não é claramente o rumo que a Sr.ª Ministra tem vindo a definir e a concretizar. Esses professores, Sr.ª Ministra, não têm qualquer objecção ou receio de ser avaliados num regime que se vincule a critérios científicos, objectivos e rigorosos, mas sentem-se legitimamente revoltados, humilhados, injuriosamente visados por uma política centrada na arrogância sempre gratuita, na irresponsabilidade, na penúria de cidadania e numa demagogia “justicialista” que para além dos limites de uma decência ética mínima, explora ressentimentos sociais em que este pobre país é fértil, justamente por ser também um país pobre, a vários níveis.
E porque “nem só de pão vive o homem”, relembro algo que tem sido permanentemente ignorado pela opinião pública em geral, pela Sr.ª Ministra, por todos os quadros superiores deste país e, em particular, pelo nosso primeiro-ministro Sócrates, cuja política deseducativa a Sr.ª Ministra tem cumprido tão servilmente e que tem consistido, miseravelmente, na aplicação do velho lema do dividir para reinar. É que todos parecem esquecer-se que foram PROFESSORES que os formaram (desde os primeiros bancos da Escola, até aos cargos que agora ocupam). Devem, portanto, a muitos dos professores deste país o RESPEITO que estes legitimamente merecem!E como infelizmente estamos em maré de terrores e perseguições várias, limitar-me-ei a encerrar esta missiva de acordo com a lógica que V.Ex.ªs instalaram e imprópria de um país que se diz livre e democrático:
Professora (bastante indignada)
7 de Junho de 2007
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
2º Período OS VALORES
Aquelas entidades a que chamamos “valores, estão presentes em todas as dimensões da nossa existência e podem assumir significados distintos: uma significação técnica (o valor de uma lei científica ou de um instrumento/ferramenta para a ampliação do conhecimento e resolução de problemas), uma significação afectiva (os valores que atribuímos a objectos, pessoas, locais, etc., que exprimem relações de estima /aproximação ou de rejeição/afastamento); um significado moral (quando apreciamos atitudes de lealdade, de coragem, ou quando condenamos comportamentos injustos, egoístas, ou desleais). Em suma, os valores são inseparáveis do nosso modo de agir e de pensar: funcionam como guias de acção.
O homem é um animal axiológico na medida em que é criador de valores, projecta-os na realidade (a partir das apreciações que faz, dos seres, objectos, pessoas e situações).
O QUE SÃO VALORES?
VALORAR/VALORIZAR
Ex: Quando algo é desejável, ou merecedor de estima e admiração, atribuímos-lhe um valor positivo; neste caso a nossa valoração foi, simultaneamente, uma valorização. Inversamente, quando não reconhecemos esses atributos nos objectos, pessoas ou situações, atribuímos-lhes um valor negativo (neste caso, valorámos, mas não valorizámos essas realidades).
ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DOS VALORES
Idealidade: os valores são ideias, entidades abstractas (é essa a essência dos Valores).
Polaridade: os valores estruturam-se numa lógica de oposição (pólos opostos) havendo, para cada valor, o seu contrário: Belo/Feio; Saúde/Doença; Virtude/Vício, etc.
Historicidade: os valores sofrem alterações e flutuações (relativizam-se em função da época e do contexto sociocultural), reflectindo a sua ligação e enraizamento na História da humanidade.
Hierarquização: critério que traduz o facto dos valores serem suscepítveis de se organizar numa lógica de maior ou menor preferibilidade, dando origem a uma escala ou tábua de valores: cada sujeito, cada sociedade, hierarquiza os seus próprios valores segundo critérios de maior ou menor preferência e importância.
Absolutividade/relatividade: este aspecto encontra-se intimamente ligado à historicidade e à hierarquia dos valores. De facto, podemos considerar que há valores mais absolutos, objectivos e universais do que outros. Em regra, são os valores espirituais e éticos os que assumem um carácter mais absoluto e universal (exs: os valores consagrados nos Direitos Humanos, a Justiça, a Paz, a Liberdade, a Felicidade, etc). Porém, mesmo estes valores, podem relativizar‑se (sofrer mutações no seu significado) quando transpostos para épocas e contextos socioculturais distintos: a felicidade e a honra para o cidadão comum europeu, na Idade Média, não é equiparável aos mesmos valores para o cidadão comum da Europa contemporânea, tal como as noções de honra, virtude e coragem para um cidadão comum japonês, na actualidade, não são análogas às de um cidadão sul-americano.
Os valores materiais são os que assumem maior flutuação/diversidade sendo, por isso, muito relativos. Exs: os valores que traduzam sensações de agrado/desagrado e os valores relacionados com os bens de consumo são muito diferentes, de pessoa para pessoa e de sociedade para sociedade.
TEORIAS DO SUBJECTIVISMO E OBJECTIVISMO AXIOLÓGICO
Existem duas perspectivas opostas sobre a natureza dos valores:
- A concepção subjectivista destaca os factores que associam os valores a preferências e inclinações pessoais; assim, na óptica desta teoria, os valores são subjectivos e consequentemente, relativos porque inteiramente dependentes das percepções, sentimentos e apreciações de cada sujeito.
- A concepção Objectivista entende que os valores existem, independentemente do sujeito que avalia; esta concepção assume que há valores absolutos, de carácter imperativo e universal (impondo-se a toda a humanidade), ultrapassando critérios e sensibilidades subjectivas; logo, esses valores são autónomos e objectivos – independentes do sujeito e das circunstâncias. São exemplos desses valores, aqueles que assumem relevo para toda a humanidade, sendo consensualmente reconhecida a sua universalidade e intemporalidade: a Liberdade, a Justiça, a Felicidade, o Bem, etc.
CONCILIAÇÃO das TEORIAS (PERSPECTIVA CRÍTICA)
Haverá que reconhecer que no universo de valores ambas as teorias cometem exageros no que
Não teremos igualmente dificuldade em aceitar que existem valores mais subjectivos, totalmente dependentes da óptica de cada sujeito e mais relativos do que outros, como sejam todos aqueles que estão directamente dependentes de juízos opinativos no que respeita a objectos, pessoas, situações, ou aqueles que estão directamente ligados a hábitos, costumes e modas de natureza sociocultural reconhecendo, também, a razão parcial da teoria subjectivista. São exemplos destes valores, aqueles que se ligam directamente ao plano material/concreto, como seja a valorização do exercício físico como critério de saúde, (mais comum na época actual do que noutras), determinados padrões de beleza (variáveis de sujeito para sujeito e de época para época), bem como os critérios de importância atribuídos por cada um de nós a factos, situações, comportamentos, etc.
Concluímos que ambas as teorias são portadoras de uma verdade relativa no que respeita à natureza dos valores, tendo ambas uma razão parcial mas não absoluta, no que respeita a esta matéria.
ACTIVIDADE FORMATIVA ( para estudo e treino da matéria)
TEXTO:
Faz parte da própria natureza dos valores, como qualidade ou predicado das coisas, não só a sua polaridade (belo/feio, por exemplo), como também o facto dos mesmos constituírem uma hierarquia: “os valores estão ordenados hierarquicamente, isto é, há valores inferiores e superiores. Os valores ocorrem numa ordem hierárquica; ao confrontar-se com valores, o homem prefere geralmente o superior, ainda que às vezes escolha o inferior por razões circunstanciais” (FRONDIZI).
Os valores podem, é verdade, ser hierarquizados, mas esta hierarquização será sempre histórica, no sentido de ser inerente a pessoas ou comunidades. Algo que alguém considera mais valioso não é necessariamente algo que outras pessoas consideram mais valioso. Os valores são, portanto, em um certo sentido, sempre relativos. Por exemplo: aquilo que a família de um suicida geralmente considera mais valioso, a vida, não é aquilo que o próprio suicida considerava mais valioso. Aquilo que a maioria daqueles que defendem a legalização do aborto considera mais valioso, a liberdade de escolha, não é aquilo que aqueles que se opõem ao aborto consideram mais valioso, a vida. Se for possível estabelecermos uma hierarquia entre valores, esta hierarquia será, no entanto, pessoal (ou, na melhor das hipóteses, comunitária) e válida apenas para aquele a cuja estrutura mental pertence esta hierarquia. Ao contrário, de uma forma ou de outra, as normas e os deveres pretendem valer para todos, universalmente. Não haveria sentido num dever moral que não se pretendesse universal.
Marcelo Campos Galuppo
QUESTÕES:
1. Esclarece o significado da seguinte afirmação: “ a competência axiológica é uma função específica de um ser racional”.
2. Explicita a seguinte afirmação do texto: “Não haveria sentido num dever moral que não se pretendesse universal.”
3. Confronta essa afirmação com os pressupostos do Subjectivismo Axiológico.
4. Relaciona o relativismo dos valores com a hierarquia e historicidade.
5. Com base nos elementos de estudo fornecidos, justifica as seguintes afirmações:
a). “ O indeterminismo, tal como o determinismo radical são teorias incompatibilistas”.
b). “ A perspectiva de J. Searle é, simultaneamente, uma teoria monista e dualista, no que respeita à análise da problemática do livre arbítrio”.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Correcções 2º Teste 1º Período
1. Explique, com base no texto, a especificidade da acção humana.
2. Identifique e caracterize, as fases do acto voluntário.
3. Identifique, na situação relatada pelo texto, os elementos da rede conceptual da acção.
4. Defina condicionantes da acção e caracterize os vários tipos associados ao comportamento humano.
CORRECÇÃO POR OBJECTIVOS: (Tópicos de análise e dissertação)
1.Esclarecer aspectos de convergência e de divergência entre o comportamento humano e animal:
Referir que só no domínio natural/biológico se podem estabelecer semelhanças (ilustrar com exemplos de condutas associadas à satisfação de necessidades básicas, garantia da sobrevivência individual e da espécie).
Demarcar/diferenciar os comportamentos biológicos e instintivos na espécie humana dos comportamentos rígidos, automáticos e padronizados das restantes espécies: frisar que na espécie humana os comportamentos instintivos puros são, praticamente, inexistentes.
Demonstrar que essa diferenciação ocorre, fundamentalmente, porque na espécie humana as acções são racional e voluntariamente dirigidas e as predisposições genéticas/biológicas, são permanentemente integradas e moldadas pelas dimensões histórica e socio-cultural em que o homem se integra.
Esclarecer que a actividade inventiva e compensadora das limitações naturais (referida pelo texto) ultrapassa, na espécie humana, a luta pela sobrevivência e continuidade da espécie e remete para a construção de um projecto de vida que implica:
- uma auto-consciência de si e da mortalidade – que passa pela consciência do tempo(temporalidade).
- uma construção de conhecimentos e respectiva aplicação nos contextos social e cultural : ao transformar a natureza, o homem é construtor de si próprio, através do uso de faculdades especificamente humanas, como o pensamento e a linguagem, das quais dependem todas as grandes criações como a ciência, a tecnologia, as artes, etc., pelo que o nicho ecológico do homem não é, simplesmente, o mundo dado (a natureza), mas um mundo construído pelo pensamento associado à acção: o nicho ecológico do homem é, simultaneamente, bio-socio-cultural.
2. Identificar as fases do acto voluntário: concepção, deliberação, decisão e execução.
Caracterizar cada uma das fases: A concepção consiste na planificação da acção que, por sua vez, implica a identificação e selecção dos meios adequados para atingir determinados objectivos (metas). A deliberação implica a ponderação e análise das hipóteses, dos motivos e consequências das acções; este facto pode originar dificuldades nas opções a tomar, uma vez que podem ocorrer conflitos que dificultam as escolhas. A decisão traduz-se na opção por uma das hipóteses colocadas na fase anterior e, consequentemente, na ultrapassagem de conflitos. A execução é a acção propriamente dita: corresponde à concretização da hipótese de acção seleccionada na fase anterior - é a passagem da intenção ao acto.
3. Associar ao conteúdo do texto, os elementos da rede conceptual da acção:
Agente - António
Intenção – Alhear-se dos problemas familiares e deixar todo o seu serviço concluído, antes do atendimento aos clientes. Evitar uma discussão acesa com o gerente.
Motivo – A situação difícil em que se encontrava (problemas familiares relacionados com a saúde da filha, acréscimo de despesas no médico e na farmácia).
Consciência – A percepção de si como autor e responsável pelos seus actos e a noção da sua situação delicada em termos familiares, financeiros e profissionais.
Livre arbítrio – A capacidade de realizar escolhas conscientes e voluntárias e de agir em conformidade com essas escolhas: António escolheu cumprir a ordem do gerente (despachar o serviço do colega), calando a sua revolta e evitando discussões que só agravariam, ainda mais, a sua situação.
4 .Definir condicionantes da acção; caracterizar os tipos de condicionantes:
Designam-se por condicionantes da acção todos os factores (externos ou inerentes ao sujeito) que interferem no modo como exerce a sua liberdade, condicionando ou limitando a forma como realiza as suas escolhas e acções.
Os condicionantes fisico-biológicos – englobam factores de vária ordem, relacionados com as condições ambientais, o património genético e as características físico-biológicas do próprio sujeito.
Os condicionantes histórico-socio-culturais – traduzem o contexto e as características da sociedade e da cultura em que nos inserimos: o património de conhecimentos, os hábitos/costumes, as regras, os preconceitos e os valores que caracterizam a sociedade em que nos integramos e que vamos interiorizando, ao longo da vida, por intermédio do processo de socialização: influência de todas as instituições e relações sociais que orientam, regem e controlam os nossos comportamentos (a família, a escola, a inserção no mundo do trabalho, as relações pessoais e socio-profissionais, os tribunais, a polícia, entidades culturais e desportivas, etc.).
1. Explique, com base no texto, a especificidade da acção humana.
2. Esclareça a afirmação, integrando os aspectos sublinhados.
3. Identifique os elementos da rede conceptual da acção e caracterize a orientação da vontade (querer) do protagonista da história.
4. Defina condicionantes da acção e esclareça o seu papel no reforço da liberdade e responsabilidade do agente.
CORRECÇÃO POR OBJECTIVOS: (Tópicos de análise e dissertação)
1.Esclarecer aspectos de convergência e de divergência entre o comportamento humano e animal:
Referir que só no domínio natural/biológico se podem estabelecer semelhanças (ilustrar com exemplos de condutas associadas à satisfação de necessidades básicas, garantia da sobrevivência individual e da espécie).
Demarcar/diferenciar os comportamentos biológicos e instintivos na espécie humana dos comportamentos rígidos, automáticos e padronizados das restantes espécies: frisar que na espécie humana os comportamentos instintivos puros são, praticamente, inexistentes.
Demonstrar que essa diferenciação ocorre, fundamentalmente, porque na espécie humana as acções são racional e voluntariamente dirigidas e as predisposições genéticas/biológicas são permanentemente integradas e moldadas pelas dimensões histórica e socio-cultural em que o homem se integra.
Esclarecer que a actividade inventiva e compensadora das limitações naturais (referida pelo texto) ultrapassa, na espécie humana, a luta pela sobrevivência e continuidade da espécie, ameaçando, até, outras espécies e remetendo para a construção de um projecto de vida que implica:
- uma auto-consciência de si e da mortalidade – que passa pela consciência do tempo(temporalidade).
- uma construção de conhecimentos e respectiva aplicação nos contextos social e cultural : ao transformar a natureza, o homem é construtor de si próprio, através do uso de faculdades especificamente humanas como o pensamento e a linguagem, das quais dependem todas as grandes criações como a ciência, a tecnologia, as artes, etc.. Concluir que o nicho ecológico do homem não é, simplesmente, o mundo dado (a natureza), mas um mundo construído pelo pensamento/conhecimento associados à acção: o nicho ecológico do homem é, simultaneamente, natural/biológico e histórico/socio-cultural .
2. Distinguir os conceitos: “acontecer”, “fazer” e “agir”e contextualizá-los na afirmação:
As nossas acções são, apenas, “algumas das coisas que fazemos” e, por isso, distinguem-se das condutas que se inscrevem na ordem do “fazer” e dos factos e acontecimentos que ocorrem, independentemente da intenção, vontade e acção de cada sujeito. Assim, integram-se na ordem do agir apenas os comportamentos conscientes, intencionais e voluntários que exprimem as opções, as decisões e as acções praticadas por um sujeito no pleno uso do seu livre-arbítrio e que, por isso, (enquanto actos conscientes, voluntários e intencionais) acarretam a responsabilidade do agente. São exemplos de acções, casar, estudar, pensar, ler, discursar, dirigir uma empresa, etc.
Na ordem do fazer, integram-se as condutas instintivas e as respostas automáticas e involuntárias: todo o tipo de comportamentos que se designam por reacções/actos reflexos, bem como todos os automatismos associados a condutas rotineiras que realizamos de forma quase automática, sem reflectir e sem serem planeados. Inscrevem-se na ordem do fazer, comportamentos como “piscar os olhos” por efeito de uma luz intensa, os movimentos musculares causados por choque ou pancada, o pânico involuntário e inconsciente quando ficamos bloqueados no elevador, ressonar, espirrar, lavar os dentes todas as manhãs por simples automatismo rotineiro, etc.
Acontecimentos são todos os factos e situações que ocorrem objectivamente e que são independentes da vontade, intenção ou acção do sujeito. Os acontecimentos objectivos podem, no entanto, dar origem a reacções e a acções. Exs: fecho os olhos como mecanismo de defesa face a uma luz intensa (luz solar ou outra). Planifico onde vou investir o dinheiro que me saiu no Euro- milhões; reajo com um insulto quando sou agredido, etc., etc.
Nota: Por outro lado, também existem acontecimentos que decorreram de iniciativas subjectivas individuais ou consertadas (da responsabilidade de um ou de mais sujeitos como, por exemplo, a 2ª Guerra Mundial, o ataque às Torres Gémeas, etc.). Não é a esse tipo de situações que se aplica a designação de puro “acontecer”- uma vez que, em todo o caso, resultaram de acções.
3. Associar ao conteúdo do texto, os elementos da rede conceptual da acção; caracterizar a orientação da vontade do sujeito (agente).
Agente - Gonçalo
Intenção – preservar aquele emprego; garantir a subsistência da família.
Motivo – A situação difícil em que se encontrava: tinha sido admitido recentemente na empresa, depois de um longo período em que esteve desempregado; tinha sido pai pela primeira vez e as despesas aumentaram.
Consciência – A percepção de si como autor e responsável pelos seus actos e a noção da sua situação delicada em termos familiares, financeiros e profissionais.
Livre arbítrio – A capacidade de realizar escolhas conscientes e voluntárias e de agir em conformidade com essas escolhas: Gonçalo escolheu não aderir à greve, apresentar-se mais cedo no local de trabalho e começar a trabalhar.
Neste caso, o sujeito vivenciou um conflito intenso (fase da deliberação) entre as suas convicções e valores pessoais (seria de inteira justiça aderir à greve) e os seus interesses e deveres socio-profissionais e familiares (manter o emprego e garantir a subsistência da família). Resolveu o conflito, executando uma acção que cedeu a elementos involuntários do querer que foram assumidos como deveres: na realidade, Gonçalo foi trabalhar por receio de perder o emprego e para garantir a subsistência da família e não por motivos voluntários da sua vontade: contrariou as suas convicções e os seus valores, mas a sua acção não deixou de ser consciente e voluntária: exerceu o seu livre arbítrio integrando, na sua vontade, elementos estranhos ao seu querer inicial (elementos involuntários mas conscientes).
4 .Definir condicionantes da acção; esclarecer o seu papel na afirmação da liberdade e responsabilidade do agente:
Designam-se por condicionantes da acção todos os factores (externos ou inerentes ao sujeito) que interferem no modo como exerce a sua liberdade, condicionando ou limitando a forma como realiza as suas escolhas e acções.
Se a acção humana não implicasse o confronto entre o sujeito e as circunstâncias favoráveis ou desfavoráveis ao exercício do seu livre‑arbítrio (que se traduz na capacidade de escolher e de agir, em conformidade com a sua consciência e vontade), a liberdade não faria sentido e as acções não seriam efectivamente responsáveis e livres: a liberdade implica a capacidade de escolher, decidir e agir, assumindo as responsabilidades por essas escolhas livremente realizadas. Só quando enfrenta obstáculos ou limitações ao exercício das suas escolhas é que o sujeito se sente desafiado a exercer a sua liberdade (a ter que decidir e optar) ganhando consciência e responsabilidade pelos seus actos – sentindo-se, efectivamente, como o único e verdadeiro autor da sua própria vida e responsável por tudo o que nela resultar das suas escolhas e acções. Se o sujeito conduzir a sua vida apenas pelas opções ou pressões alheias ou se se demitir de escolher quando enfrenta factores que condicionam as suas opções e decisões, nunca será verdadeiramente livre; logo, nunca será verdadeiramente responsável a não ser pela sua própria apatia, conformismo e inacção que o tornarão facilmente manipulável pela vontade alheia ou pelas circunstâncias: não será um homem livre mas uma “marioneta”.
